Mensagens

PUBLICADO NO JORNAL "NOVA VERDADE" DE 1 DE JULHO DE 2017

Imagem
A IGREJA E CONVENTO DE SANTA CATARINA DE ALENQUER É longa, de séculos, a história deste conjunto arquitectónico que aguarda o visitante a uma das entradas da vila e que por ele passa sem se aperceber lá muito bem do que se trata. Outros, mais ligados à terra, certamente já ouviram dizer que ali, naquele amontoado de casas velhas, está enterrado um rei de uma terra estranha. Mas serão muito poucos aqueles que já alguma vez ultrapassaram o modesto e quase despercebido portão que dá acesso aos claustros daí acedendo à “casa do capítulo”, última morada de um aventureiro feito soberano. Igreja e convento têm uma história não só longa como acidentada, uma história que o leitor curioso pelas coisas do passado poderá encontrar, em fragmentos, na “História Seráfica” de Frei Fernando da Soledade, nas “Respostas” de alguns párocos ao inquérito pombalino de 1758, nas habituais coreografias do séc. XVIII, nos escritos de Guilherme Henriques e, muito bem contada, no “O Concelho de Alenqu...

PUBLICADO NO JORNAL "NOVA VERDADE" DE 1 DE JUNHO DE 2017

Imagem
D. TOMÁS DE NORONHA, O MARCIAL DE ALENQUER Pesquisando os naturais de Alenquer, entre eles encontramos muitos e valentes homens de armas, navegadores, homens de ciência, outros de leis, piedosos e cultos eclesiásticos, mas também, embora em menor número, ilustres homens de letras como Damião de Góis, o cronista mor do reino, e Luís de Camões (não desistimos dele), o vate lusitano. Procurando melhor, também um existe que nesta vila de Alenquer nasceu, que foi considerado por Jacinto Cordeiro, na sua obra Elogio dos Poetas Lusitanos, publicada em 1631, «um dos mais célebres poetas de seu tempo», logo suscitando curiosidade pela sua obra que, como se verá, não desilude, antes pelo contrário. Efectivamente D. Tomás de Noronha nasceu em Alenquer em data incerta e por cá se demorou ao longo da vida, já que em verso são muitas as alusões a figuras e lugares da terra. Como o seu próprio apelido indica, «era da família nobilíssima dos Noronhas, senhores donatários de Vila Verd...

PUBLICADO NO JORNAL "NOVA VERDADE" DE 1 DE MAIO DE 2017

Imagem
MAIO MÊS DAS CEREJAS E DA FESTA DE MECA Uma quadra popular muito antiga lembra precisamente isso quando diz: « Ó minha Santa Quitéria // lá da terra da cereja // Como estás encarnadinha // lá dentro da tua igreja» . De facto, em finais de Maio, quando as vinhas já resplandecem de verde e a cereja já pinta nos vales circundantes, a aldeia de Meca veste as suas melhores roupagens para honrar a sua Santa Quitéria mártir, defensora de pessoas e animais contra o terrível mal da raiva. A romaria, uma das mais antigas do concelho e do país, acontece anualmente no fim-de-semana que se segue ao dia 22 de Maio que no calendário religioso é dedicado àquela santa, uma mártir dos primeiros tempos do cristianismo, nascida no norte da Lusitânia quando os romanos ainda habitavam a sua Braccara Augusta . Rezam as loas de um antigo círio, e a sua hagiografia não o desmente, que Quitéria teve oito irmãs gémeas a quem foram dados os nomes de Eufémia (ou Eugénia?), Marciana, Marinha, Vitória, ...

PUBLICADO NO JORNAL "NOVA VERDADE" DE 1 DE ABRIL DE 2017

Imagem
DANTAS PEREIRA, O ALMIRANTE ERUDITO Por ocasião do Congresso do Espírito Santo e em conversa com um conhecido professor da Universidade do Minho, disse-me ele: Alenquer é a terra natal de gente muito ilustre, como o almirante Dantas Pereira que, assim o penso, na sua Alenquer é uma figura desconhecida. Por acaso conhece-o? Respondi afirmativamente e acrescentei que não só o conhecia, como ainda há pouco tempo havia adquirido, num leilão de papéis antigos, um documento autógrafo de outro ilustre homem do mar, o capitão-de-mar-e-guerra António Marques Esparteiro, com apontamentos sobre a vida militar de Dantas Pereira. Isto pareceu surpreender o distinto professor, mas, convenhamos, para os que gostam de história local, o almirante alenquerense não é um desconhecido, bem pelo contrário, embora por vezes no que respeita a alenquerenses ilustres, tudo pareça esgotar-se em Pero de Alenquer e Damião de Góis… E, já que falámos em Pero de Alenquer, o piloto do Gama sobre o qual s...

PUBLICADO NO JORNAL NOVA VERDADE DE 1 DE MARÇO DE 2017

Imagem
A CASA DA TORRE Agora que surgiu envolta em andaimes, aprimorando-se para ser o futuro Museu Arqueológico, talvez seja a altura certa para aqui falarmos dela. Situada na Calçada Francisco Carmo, vulgo Calçadinha , um pouco abaixo da igreja de S. Pedro, é um dos imóveis mais antigos da vila. O historiador Guilherme Henriques chega a admitir que a sua origem remonta à presença dos romanos neste território, dizendo: «(…) pode ser que fosse outrora, uma daquelas torres isoladas ou obras avançadas» com que esse povo de grandes construtores defendia um ponto nevrálgico das suas posições ou uma passagem dum rio. Sendo certo que o antigo castro na colina sobranceira à vila foi, também ele, castrum romano (e mais tarde reduto fortificado do castelo medievo, aí se situando a sua torre de menagem), é bem possível que tenha alguma consistência esta conjectura quanto às origens da torre sobre a qual, mais tarde, se edificaram as casas. Outra hipótese já avançada é a de que esta torre, pel...

PUBLICADO NO JORNAL "NOVA VERDADE" DE 1 DE FEVEREIRO DE 2017

Imagem
DUAS IRMÃS, DUAS ACTRIZES ALENQUERENSES         Em conversa recente com um amigo entusiasta da História Local dizia eu que, em Alenquer, o Teatro tem fortes tradições e uma história que merecia ser contada. Bento Pereira do Carmo, nos seus Escritos , refere que em 1842 se representava no antigo Celeiro das Jugadas, demolido para a construção dos Paços do Concelho, acrescentando Guilherme Henriques que em 1863 aí «se construiu um teatrinho(…)». Já na segunda metade desse século representava-se na “Arcada” do Espírito Santo, sede da banda “Operária Alenquerense”; na antiga ermida de S. Sebastião, na Calçadinha , sede de uma outra banda, a “Cultura e Recreio”, e também no simpático “Ana Pereira” construído sob desenho de José Juvêncio da Silva, o “arquitecto” dos Paços do Concelho, anexo ao Clube Alenquerense, hoje Liga dos Amigos de Alenquer. Mas, para além do teatro amador que se fazia para animar as tardes e as noites dos alenquerenses, também por cá pas...